12 de fevereiro de 2010

ISHTAR

Mirella Faur

Amplamente cultuada na antiguidade, conhecida sob vários nomes e títulos em diferentes países, Ishtar era uma deusa lunar, uma das manifestações de Magna Dea, a Grande Mãe do Oriente e uma versão mais tardia e complexa da deusa suméria Inanna. Foi venerada como Astarte em Canaã, Star na Mesopotâmia, Astar e Star na Arábia, Estar na Abissínia, Stargatis na Síria, Astarte na Grécia. No Egito sua equivalente era Ísis, cujo culto espalhou-se até a Grécia e Roma, florescendo até os primeiros séculos da era cristã.

Ishtar personificava a força criadora e destruidora da vida, representada pelas fases da Lua, crescente e a cheia que favorecem o desenvolvimento e a expansão, a minguante e a negra que enfraquecem e finalizam os ciclos anteriores. Como Deusa da fertilidade ela dava o poder de reprodução e crescimento aos campos, aos animais e aos seres humanos. Foi nesta qualidade que se tornou a Deusa do Amor, que teria descido do planeta Vênus, acompanhada de seu séqüito de sacerdotisas Ishtaritu que ensinaram aos homens a sublime arte do êxtase: sensorial e espiritual.

Como rainha do céu era a regente das estrelas, pois ela mesma tinha vindo de uma estrela que brilhava no amanhecer e no entardecer e era o ponto central de seu culto. As constelações zodiacais eram conhecidas pelos antigos como o “cinturão de Ishtar” e era ela quem percorria o céu todas as noites em uma carruagem puxada por leões, controlando o movimento dos astros e as mudanças do tempo. Muitos eram os títulos que lhe foram atribuídos – “Mãe dos Deuses, A Brilhante, Criadora da Vida, Condutora da Humanidade, Guardiã das Leis e da Ordem, Luz do Céu, Senhora da Luta e da Vitória, Produtora de Sementes, Senhora das Montanhas, Rainha da Terra”.

As suas representações a mostram como a mãe que segura os seios fartos, a virgem guerreira, a insinuante sedutora, a sábia conselheira, a juíza imparcial. Mas Ishtar tinha também um aspecto escuro, que surgia quando ela descia ao mundo subterrâneo e uma época de terrível depressão e desespero caia sobre a terra. Na sua ausência, nada podia ser concebido, nenhum ser podia procriar, a Natureza inteira mergulhava na inércia e inação, chorando por sua volta. Era então chamada de “Mãe Terrível, Deusa da Tempestade e da Guerra, Destruidora da vida, Senhora dos Terrores Noturnos e dos Medos”. Porém, era nessa manifestação que ela podia ensinar os mistérios, revelar as coisas ocultas, propiciar presságios e sonhos, permitir o uso da magia, o alcance da sabedoria e a compreensão dos ciclos da vida e da natureza.

Em suas formas variadas e mutantes Ishtar desempenha as múltiplas possibilidades da essência feminina, sendo a personificação do princípio feminino – seja o da natureza Yin, seja o da anima. Nas celebrações de lua cheia dedicada ao seu culto (chamadas Shapattu) as mulheres da Babilônia, Suméria, Anatólia, Mesopotâmia e Levante levavam oferendas de velas, flores, perfumes, mel e vinho para seus templos, cantavam-lhe hinos, dançavam em sua homenagem e invocavam suas bênçãos para suas vidas, suas famílias e sua comunidade.

11 de fevereiro de 2010

...pois a vida fica melhor assim,
quando dela tiramos a moldura
permitindo que se estenda a pintura
do interior do nosso ser sem fim

9 de fevereiro de 2010

No amor, na arte, na música e no saber encontramos a marca do nosso tempo. 
Ainda lutando, tentando vencer, conquistando o direito à liberdade.
o real valor de nossa liberdade
não se encontra no espaço aberto
mas se prende leve ao pensamento
e se mostra solto na verdade

7 de outubro de 2006

A ARTE E O APRENDIZ

Este texto do Artur diz TUDO o que eu gostaria de falar hoje. Acho - o perfeito. Aproveitem...

A ARTE E O APRENDIZ

Artur
Membro do Conselho e da Coordenação de Figueira


Na medida em que a alma se exprime por nosso intermédio a vida externa se torna de fato criativa. Mas antes disso vivemos fases preparatórias em que lampejos eventuais de genuína criatividade ocorrem por obra da Graça.
Nessas fases em que as forças psicológicas vão se organizando, amadurecendo e se alinhando com a alma, as chamadas atividades artísticas são especialmente indicadas. Propiciam o aquietamento e a elevação de pensamentos e emoções. Com delicadeza, exigem disciplina externa e favorecem a educação básica da personalidade. Aparelham os corpos para que sementes evolutivas germinem, cresçam e dêem frutos. Enobrecem e sutilizam a sensibilidade. Realizadas com atitude correta, tais atividades são ofertas que fazemos ao mundo interno para um dia servir como canais de suas energias.
A manifestação da arte, porém, é algo muito mais amplo e não controlado pelo querer externo. Acontece de modo misterioso quando o pequeno eu cede lugar ao Ser. A obra nasce então espontânea, não concebida por labor humano. O artista é fecundado pelo poder criativo da Idéia que busca expressar-se por seu intermédio. A partir daí ele molda, nos níveis materiais, a beleza, a harmonia e o equilíbrio.
Beleza, harmonia e equilíbrio são atributos de leis universais que podem projetar-se na existência concreta. A verdadeira arte e o verdadeiro artista estão imbuídos dessas leis. Por isso transformam os seres e o mundo segundo padrões superiores. A obra não visa a confirmar meros estados humanos, mas a eleva-los e cura-los. Não almeja valorizar os operadores, mas revelar estados de consciência impessoais e abrangentes.
Núcleos de formação artística sempre foram vitais no desenvolvimento de um povo ou civilização. Podem promover a retidão de caráter, refinar sentimentos e pensamentos, estimular a doação de si a um bem maior, fortalecer a aspiração ao mundo superior e a reverência pela verdade. Tudo isso constrói no ser bases seguras para realidades interiores virem à tona com pureza. O contato cada vez mais próximo com as vibrações sutis dos sons, das cores e das formas vai preparando os aprendizes para criar em sintonia com o Plano Evolutivo.
É claro que um núcleo de formação desse nível demanda a presença de monitores que vivam tal processo de crescimento e estejam alinhados com o seu propósito em certo grau. Podemos atrair essa preciosa possibilidade orientando-nos nesse sentido.
O autêntico artista é, antes de tudo, um buscador da verdade. Reconhece-se como eterno aprendiz, sempre pronto a esquecer-se de si e a doar ao mundo tudo o que do Alto venha a receber. Afinal, como indica um livro antigo, “quando o pequeno se afasta, o Grande se aproxima”. Tal é a lei.