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18 de março de 2013

RENASCENÇA



O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

Características gerais: 


* Racionalidade 
* Dignidade do Ser Humano 
* Rigor Científico 
* Ideal Humanista 
* Reutilização das artes greco-romana
* A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas 




As principais características da pintura são:

* Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.
* Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.
* Realismo: o artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.
* Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.

Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.

Os principais pintores foram: 


Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. 
Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.


Leonardo da Vinci - ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. 

Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.


Michelângelo - entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem. 

Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família


Rafael - suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. 

Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.





Principais Características da escultura:

* Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade 
* Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade 
* Profundidade e perspectiva 
* Estudo do corpo e do caráter humano


Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.
“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura)

Principais características:

* Ordens Arquitetônicas 
* Arcos de Volta-Perfeita 
* Simplicidade na construção

*Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)

O principal arquiteto renascentista:

Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi.


- A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é na própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder a eleição do próximo. Lareira que produz fumaça negra - que o Papa ainda não foi escolhido; fumaça branca - que o Papa acaba de ser escolhido, avisa o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano 


- Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia. 

- Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: “Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um modelo de asa-delta, etc.


- Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para a frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.

11 de junho de 2011

MICHELANGELO e o aprendizado com Ghirlandaio



Michelangelo Buonarroti, filho de uma família burguesa florentina, nasceu a 6 de março de 1475, em Caprese, província florentina. Seu pai, Ludovico di Leonardo Buonarroti Simoni, era homem de posses, patriarca violento, “temente a Deus”. A mãe, Francesca di Neri di Miniato Del Sera, morrreu quando Michelangelo tinha seis anos. Eram cinco irmãos: Lionardo, Michelangelo, Buonarroti, Giovani Simoni e Sigismundo. Com a morte da mãe e o segundo casamento do pai, Michelangelo foi entregue aos cuidados de uma ama, sendo encaminhado à escola ainda muito jovem. No colégio, enchia os cadernos de exercícios com  desenhos, totalmente desinteressado das lições sobre as outras matérias.
As primeiras manifestações artísticas do pequeno Michelangelo não foram vistas com bons olhos pela família. Não obstante, contra a vontade do pai, aos treze anos ingressou como aprendiz no atelier do famoso pintor Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494)
O jovem discípulo, já em seus primeiros trabalhos mostra-se capaz de superar o mestre. Além disso, considera a pintura uma arte limitada: busca uma expressão mais ampla e monumental. Assim, não passa mais que um ano com Ghirlandaio, sendo levado a freqüentar a escola de escultura dirigida por Bertoldo di Giovanni (1420 - !491) e sustentada por Lourenço de Medici.
Nos jardins de São Marcos, local onde ficava a escola de Lourenço de Medici, Michelangelo vive em pleno ambiente físico e cultural do Renascimento italiano. A atmosfera, poética e erudita, evoca a magnificência da Grécia Antiga, seu ideal de beleza – baseado no equilíbrio das formas – sua concepção de mundo – a filosofia de Platão. Voltando seus sentimentos para os modelos gregos, produz os primeiros trabalhos em mármore: O Combate dos Centauros e dos Lápitas, a Máscara do Fauno Rindo e o baixo relevo A Madona na Escada. O artista conquista a atenção pessoal de Lourenço, freqüenta-lhe a mesa, faz-se amigo de seu protetor.

Em 1490, Michelangelo tem quinze anos. É o ano em que Savonarola, o monge dominicano, começa a conquistar o apoio da cidade, com suas pregações fanáticas. O anúncio de que a ira de Deus em breve desceria sobre a cidade atemoriza o jovem artista: sonhos e terrores apocalípticos povoam suas noites. Lourenço, o Magnífico, morre em 1492. Michelangelo deixa a corte, voltando à casa paterna. Logo depois, Pedro, filho de Lourenço, contrata-lhe os serviços. Esculpe em mármore um colossal Hércules, estátua que, após passar por várias mãos, ficou em Fontainebleau por ordem de Francisco I, rei da França, até desaparecer misteriosamente no século XVII.
Em 1494, com a revolução que colocou Savonarola como chefe da República florentina, Michelangelo vê-se obrigado a fugir para Veneza. Longe do caos em que se convertera a aristocrática cidade dos Medicis, o jovem artista se acalma. Passa o inverno em Bolonha, onde o torpor da fé e do fanatismo não o atingem. Lê Dante (1265 – 1321), Boccaccio (1313 - !375), Petrarca (1304 – 1374).  É o mais pagão dos artistas.

Fonte: Mestres da Pintura, Abril Cultural

5 de junho de 2011

MICHELANGELO, A EXPRESSÃO DO BELO



O que melhor caracteriza a arte do Quattrocento é sua unidade – a força de efeitos expressando impressões únicas, ainda que baseadas em mil cores e detalhes. Comparado às obras da Idade Média, um trabalho artístico da Renascença transmite sempre um sentido de totalidade e conjunto, simples e homogêneo. Seu destino é a liberdade, a afirmação do homem comum, de seus sentimentos e desejos, frente à religiosidade das concepções medievais.
No Renascimento, o conceito de belo é expressado por meio da conexão lógica entre partes singulares de um todo, o ritmo matemático de uma composição, a harmonia das relações de um número, o fim das contradições entre as figuras, o espaço e as partes do espaço entre si. A representação parte de um motivo central, ordenando a composição de modo que ele expresse seus sentimentos num só olhar de conjunto. Todo o desenvolvimento da arte se articula num processo de racionalização com vistas a esse objetivo.
É quando a arte começa a manter estreita relação com a ciência. A geometria, a anatomia, a fisiologia, os estudos sobre luz e cor, a matemática, a ótica e a mecânica instrumentalizam o artista para o manejo do espaço, na descoberta do corpo humano, no sentido do movimento e das proporções. Predomina a idéia de que as matemáticas compõem um corpo comum, tanto das artes como das ciências, pois a teoria das proporções e o estudo da perspectiva se identificam nas disciplinas matemáticas.
No Cinquecento, os laços que unem ciência e arte se afrouxam. Os dois campos do conhecimento se servem, porém, conquistando maior autonomia um frente ao outro. E nisso, a personalidade do artista se liberta ainda mais dos preceitos. Para Leonardo, inclusive, se a pintura era uma ciência exata da natureza, também estava acima das demais ciências, na medida em que era expressão de um indivíduo, de suas aptidões natas.
O Renascimento tem seus primeiros dias no século XIV como um movimento essencialmente italiano. A Itália é então a região mais desenvolvida da Europa, onde a burguesia se emancipa mais imediatamente do poder da nobreza. É também onde a velha nobreza assimila melhor e rapidamente os valores da emergente aristocracia do dinheiro. E é onde surge a primeira organização bancária européia. As novas classes dominantes serão o esteio de uma nova arte, promovendo um renascimento de mentalidades, em oposição às superadas concepções medievais.
Por toda a Itália encontravam-se espalhados os monumentos da tradição clássica do período de ouro do Império Romano; eles servirão de modelo à nova significação do trabalho artístico.

Fonte: Mestres da Pintura, Abril Cultural
O Quatrocento, ou Quattrocento, são os eventos culturais e artísticos do século XV na Itália, analisados em conjunto. Engloba tanto o final da Idade Média (arte gótica e Gótico Internacional), quanto o começo do Renascimento. Os artistas se voltaram mais às formas clássicas da Grécia e Roma.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quatrocento

30 de maio de 2011

MICHELANGELO – o gênio absoluto





“Não sou o escultor Michelangelo. Sou Michelangelo Buonarroti”.


O que levaria esse homem – símbolo de seu tempo, expressão máxima de uma época – a rejeitar-se como profissional, personalizando de tal modo sua atividade que ela passou a se constituir em sinônimo de seu próprio nome?
Michelangelo encarnou, com plenitude, a idéia do gênio – a mais característica concepção artística do Renascimento, onde a obra torna-se criação de uma personalidade autônoma, acima das tradições, dos preceitos, das doutrinas e até mesmo da própria obra. Daí seu nome ter mais significado do que sua atividade profissional. Nesses termos, Michelangelo foi um artista moderno, homem solitário, cujo talento poderoso movia seus braços, seu rosto, seus dedos e seus olhos, à procura do belo, retratado com cinzéis, marcado nas paredes e nas telas.
A vida de Michelangelo, em suas muitas contradições, angústias e conquistas, atravessou todo o processo de desenvolvimento do Quattrocento e do Cinquecento: do Classicismo ao Maneirismo. No momento de sua morte, assentadas as discussões do Concílio de Trento, o Velho Mundo encaminha-se, impulsionado pela Contra-Reforma, para novo período histórico. Paralelamente, implanta-se uma nova estética: o Barroco.
Numa época em que a religião perde o controle sobre a vida intelectual e esta procura maior autonomia, a arte busca em si mesma um sentido e uma finalidade. A produção intelectual toma corpo como propriedade privada. A genialidade é o talento, o valor maior que se sobrepõe como afirmação do trabalho artístico.
Nos seus 89 anos de vivência no mundo das artes e no universo social europeu, Michelangelo ascendeu a uma estatura jamais alcançada anteriormente por qualquer outro artista. Viveu um tempo de gênios e de obras grandiosas, numa época de grandes transformações nas mentalidades, na economia e na política. Na península Itálica, entrecruzavam-se então Botticelli (1444/45? – 1510), Bramante (1444 – 1514), Rafael (1483 – 1520), Veronese (1528 – 1588), Antonello da Messina (1430 – 1479), Piero della Francesca (1410/20? – 1492), e, um pouco antes, Masaccio (1401 – 1428?), Fra angelico (1387 – 1455). Na literatura, surgiam as obras de Maquiavel (1469 – 1527), Tasso (1544 – 1595), Boiardo (1441 – 1494), Ariosto (1474 – 1533).
Distinguindo-se desses intelectuais e artistas pela variedade e plenitude de sua produção, Leonardo da Vinci (1452 – 1519) equipara-se a Michelangelo na projeção gigantesca que as obras de ambos tiveram como modelos através da história. Não obstante, a arte de Leonardo corresponde a uma cosmogonia aristotélica; a de Michelangelo, por sua vez, reflete concepções neoplatônicas assimiladas na corte de Lourenço de Médici, o Magnífico.


Fonte: Mestres da Pintura, Abril cultural

23 de maio de 2011

Michelangelo Buonarrotti - o homem

"Eu avanço sozinho por caminhos ainda não trilhados."



Corajoso ou covarde, desconfiado ou generoso, rebelde ou dócil, intolerante ou humilde, racional ou supersticioso, atormentado sempre, apaixonado sempre, solitário sempre, Michelangelo escapa a cinco séculos de esforços por catalogá-lo, foge a todos os diagnósticos simplistas - neurastênico, masoquista, desajustado social, hipocondríaco, homossexual, megalomaníaco, visionário - evade-se de quaisquer rótulos, menos de um: gênio.
Raras vezes a designação de gênio terá sido tão apropriada para descrever a potência de uma inesgotável capacidade criadora e a variedade de formas pelas quais ela se exprimiu: escultor insuperável numa época em que Donatello e Verrocchio elevavam a escultura italiana a um nível só antes atingido pelos gregos; pintor que revolucionou a concepção da pintura mural com os afrescos da Capela Sistina, numa época em que Masaccio, Rafaello, Leonardo da Vinci, Paolo Uccello, Botticelli, Ghirlandaio e tantos outros abriam à Europa novos horizontes expressivos; poeta maior no país que viu nascer o soneto - um multiforme e assombroso engenho animava todas as suas manifestações. Sua pintura, suas estátuas, sua poesia, sua correspondência, sua arquitetura, situam-no definitivamente, ao lado do extraordinário Leonardo da Vinci, como o maior nome do Renascimento.
O traço que o distingue imediatamente e o acompanha ao longo de sua vida feita de trabalho e dor é a paixão. Foi com uma intensidade desmesurada e total que se entregou à arte, ao amor, ao próprio desespero. Assim, justamente esse máximo expoente do Renascimento clássico da Itália é no tempo um dos primeiros temperamentos românticos por excelência. Sua personalidade arrebatada comportava uma tristeza inextirpável, um pessimismo e uma melancolia presentes em toda a sua obra e em sua visão do mundo.
Como o albatroz a que Baudelaire comparou o poeta entre os mortais - " suas asas imensas o impedem de avançar" -, Michelangelo foi necessariamente um solitário. Como Beethoven viveria isolado pela incompreensão de seus contemporâneos e pela surdez crescente, como Bach passaria despercebido em toda a sua sublime grandeza entre os alemães do século XVII, Michelangelo foi combatido sem tréguas por todos os que invejavam a grandeza sobre-humana de sua genialidade.

Fonte: Gênios da Pintura Editora Abril Cultural.